quinta-feira, 23 de junho de 2016

MEUS RESULTADOS NO YORK SHOW 2016 - YCCB

05 campeões e o Best in Show Filhote
Categoria Junior - Filhotes
- Nevado Lipocrômico: Primeiro e segundo lugar
- Nevado Pintado: Sexto lugar
- Nevado Melânico: Quinto lugar
- Intenso Lipocrômico: Sétimo lugar
- Intenso Pintado: Primeiro lugar
- Branco Lipocrômico: Segundo lugar
- Branco Pintado: Primeiro lugar
- Canela Nevado: Segundo lugar
BEST IN SHOW JUNIOR - Filhotes
Primeiro lugar: Amarelo Intenso Pintado
Quarto lugar: Branco Pintado
Sétimo lugar Amarelo Nevado Lipo
Categoria Adultos:
Macho Intenso Lipo: Primeiro lugar
Macho Intenso Melânico: Sétimo lugar
Macho Branco pintado: Primeiro lugar
BEST IN SHOW MASTER - Adultos
Sexto lugar: Amarelo Intenso Lipo

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

COM-VERSANDO SOBRE A RAÇA DE CANÁRIO YORKSHIRE

Conversa retirada do grupo do Watts App dos criadores do Clube Ornitológico de Maringá, no qual tem uma iniciativa que se chama Projeto COM-versa na quarta. Nesta convidamos o Paulo Viana para dividir suas experiências com a gente.


Paulo Cesar Martins Viana é de Blumenau SC e é Membro  do Yorkshire Canary Cub do Brasil (YCCB) e do Clube de Criadores Amigos do Litoral (CCAL) - e-mail: paulocmviana@gmail.com


Miro (Soares): Boa tarde gente está chegando o projeto "COM-versa na quarta" sobre o Yorkshire com a participação do criador especializado Paulo Viana.
Boa tarde Paulo Viana. Seja bem-vindo ao grupo do Clube Ornitológico de Maringá (COM). Você vai passar um dia conosco para conversarmos sobre o Yorkshire meu amigo. Com certeza será muito proveitoso para nós.
Paulo Viana: Boa tarde Miro e demais participantes do Grupos. Será um prazer conversar com vocês.
Miro (Soares): Paulo o COM tem vários criadores de York, mais de 10, fora os que gostam, mas não assumem (risos). Para os criadores de York não precisaria nem apresentar o Paulo, mas vale lembrar que ele se destacou com seus canários no ultimo York Show do Yorkshire Canary Clube do Brasil tendo vários campeões e sendo o criador ganhador geral.
Paulo Viana: Miro, obrigado pela introdução
Claudemir Herrera: Paulo eu sou um criador iniciante de York. Qual os cuidados essenciais que devo ter fora o manejo, higiene e alimentação?
Paulo Viana: Claudemir, você já disse algo muito importante. Criação de canário sem um bom manejo, limpeza e uma boa alimentação, não vai para frente. O passo inicial para se começar uma criação de Yorks é o cuidado na aquisição das matrizes. Aqui no Brasil temos o costume de fazer um monte de casais. No geral o criador sai comprando uma peça de cada criador e já quer ter resultado no primeiro ano. Eu fiz isso e foi difícil chegar em algum lugar. Custei para ajustar meu plantel. Ainda estou longe de ter tudo na minha mão. Meu conselho é: procure um criador que você considere como referência, compre um ou dois machos, três ou quatro fêmeas e comece devagar. Procure machos criadores, ou seja, que tenham boa genética. Vá no criador e olhe o plantel, veja os pais os irmãos e aí decida o que comprar. Evite canários somente de show, esse pode não ser um bom reprodutor. Obviamente que podem ser, dependendo da genética que carregam.
Dinei: Paulo sou criador de canários de cor mas tenho muita vontade de criar York mas o que me barra é eles tratam ou não dos ilhotes ou tenho que realmente usar amas?
Paulo Viana: Em relação ao uso ou não de ama seca, até hoje não consegui criar sem. Até mesmo pela minha forma de manejo e tempo. Em Curitiba o Allan cria sem ama. Como falei eu já tive uma ou duas fêmeas que criaram. Seria um sonho não precisar de ama.
Miro (Soares): Paulo como você começou com canários? Há quanto tempo você criar york? Como conheceu a raça e como foi a sua evolução como criador e conhecedor da raça?
Paulo Viana: Miro, comecei com canários por acaso. Meu Pai sempre teve passarinhos, mas eu nunca me interessei. Na época morava em Curitiba e meu pai me falou que um amigo dele tinha um canário do reino que ele nunca tinha visto. Grande, verde e com um canto forte. Aí, fui procurar em Curitiba nas agropecuárias. Comecei a comprar um monte de canários para o meu pai. Ele como bom comerciante vendia tudo. Até que um dia conheci o York. Foi amor à primeira vista. Daí comecei a procurar por criadores de York, conheci o Ademir Lemes, que na época tinha um plantel fabuloso. Depois vieram os importados e aí por diante. Em relação ao tempo, que eu mesmo crio já faz 7 anos antes o meu pai criava para mim, mas nunca deu muito certo. Como gosto de estudar e sou bastante técnico - contador, busquei muita literatura no Brasil e fora. A evolução como criador vem dentro do seu criadouro, você tem que ser bom observador, você tem que gostar. Além disso, confesso para vocês que depois que o Brian Keenan veio ao Brasil, eu aprendi muito. As conversas com ele foram muito boas, a forma de ele julgar e tratar os pássaros foi, para mim, uma mudança de pensamento muito grande.
Claudemir Herrera: Paulo e o manejo com os filhotes muda em relação aos canários de cor
Paulo Viana: Claudemir, o manejo é totalmente diferente. O York é um bicho que requer muito treinamento. Quanto mais manso, mais em posição ele entra. Para o campeonato Brasileiro, isso talvez não importe tanto, mas para o York Show, temos até gaiolas diferentes. As famosas túneis. Tem que se dedicar ao filhote.
Lucio Yokoyama: Como você faz acasalamentos consanguíneos no seu plantel?
Paulo Viana: Lucio, consanguinidade não é fácil. Já fiz em uns dois ou três casais, mas ainda não tive bons resultados. Acho que temos muito a aprender ainda. Na Europa se faz muito, porém eles têm duas três grandes famílias que vez ou outra se cruzam. Agora pelos relatos que escutei recentemente, a Europa está tendo um problema sério devido a consanguinidade. Acho que se você acertar vai ser muito bacana, porém, eu ainda não acertei e com todos que eu falei no Brasil os resultados não são tão bons. Os relatos que ouço é que o melhor resultado vem de avo com netas, mas ainda não fiz isso.
Joelson Smerdel: Paulo um assunto polêmico que vem se tratando aqui Brasil e corte do rabo dos canários e posterior arrancar ao fim da muda como vimos criadores italianos e ingleses usando essa técnica. Você faz isso com seus filhotes e tem algo formado a respeito do mesmo?
Paulo Viana: Cortar o rabo? Eis a questão. Pelo que temos visto na Europa e Turquia todos cortam o rabo. Conversando com o Brian (juiz do último York Show) ele me aconselhou a arrancar o rabo dos filhotes quando eles começam a trocar as penas do peito. Já li sobre o assunto, porém, acho que o arrancar ou não, cortar ou não, não é científico, ou seja, não dá para aplicar para todos os exemplares. Eu por exemplo tenho muitos filhotes que as amas arrancam o rabo. Acho que se arrancar o rabo novamente vai desequilibrar o tamanho do canário. Acho que ainda temos que evoluir nesse tema, acho que ainda temos que experimentar mais tempo. Minha ideia é fazer teste, cortar de alguns e deixar outros sem cortar e ver o resultado final
Lucio Yokoyama: Quanto tempo você fica com um macho ou fêmea com fenótipos exemplares no plantel que não dão bons filhotes.
Paulo Viana: Lucio, eu procuro ficar dois anos com exemplares que não dão bons filhotes. Mudo o acasalamento no segundo ano. Se não der certo, descarto.
Antônio Bosso: Sou criador de Gloster, Fife e Raça Espanhola mas minha esposa adora os canários grande, tentei lancashire mais como todos aqui fiquei com alguns York. Pergunto Acasalamento entre nevados O que você aconselha?
Paulo Viana: Antônio, no York, pelo que percebi nesses últimos anos, é que isso pouco importa. Nevado x Nevado, branco x intenso, etc. o que importa, mesmo é a plumagem. Pena longa, pena curta, pouco empenamento, muito empenamento. Já tive ótimos pássaros vindos de nevado com nevado. Deram bastante enxutos.
Bruno Tassi: Sou criador de Lancashire e sempre arranquei as penas dos rabos dos filhotes.
Paulo Viana: Arrancar o rabo no lanca é muito comum, pelo que sei. Deixa ele maior. Já no York, você não pode perder a proporcionalidade entre o corpo e a cauda.
Bruno Tassi: Sim o deixa maior pois o lanca muda muito a posição e postura diferente dos yorks.
Miro (Soares): Paulo e sobre o treinamento para concurso nas tuneis como você procede o manejo. Com que idade? Quanto tempo ficam nelas? Como treina?
Paulo Viana: Miro, nesse caso sigo muito o que dizem os Europeus. Encaixo a túnel na voadeira para eles irem se acostumando, depois separo eles nas gaiolas menores e vou fazendo rotação nas gaiolas túneis. Uma semana em uma, uma semana em outra maior. O que influencia muito, em meu ver, é o manejo. Você tem que pegar a gaiola, tem que olhar para o pássaro, tem que demonstrar para o pássaro que não há nada de errado. Ele tem que confiar que vai estar tudo bem. Isso leva tempo e dedicação. O ano passado, meu canário foi best in show, muito por causa do treinamento. Ele entrava em posição e não saia mais. A gaiola túnel que eu uso mandei fazer, tem mesmas medidas da europeia, porém sem madeira no fundo que gera muita sujeira e dificulta muito a limpeza sou meio louco com limpeza.
Miro (Soares): A forma como os seus yorkies se apresentaram, especialmente o best in show, foi incrível. Como estavam mansos!!?? Muito bem treinados!!!
Claudemir Herrera: Paulo e o uso da cantaxantina nos canários york é legal? Eu estava lendo que as penas ficam mais compactas.
Paulo Viana: A cataxantina é uma mania da Europa. Dizem que eles utilizam, por conta da vitamina A. Com certeza deixa a plumagem mais apertada, mais aderente. Sem contar que ficam mais bonitos. Pelo menos eu acho. Já cataxantino há alguns anos e gosto do resultado.
Antônio Bosso: Com relação a banho para os canários qual sua periodicidade?
Paulo Viana: Costuma dar banho uma vez por semana. Gosto de dar banho de banheira, mas também uso o spray. Se você tiver muitos fica impossível cuidar de todos com zelo. Por isso, acho que um plantel com 20 casais é o ideal.
Dinei: Paulo em relação ao banho pode ser feito com algum shampoo? Não vai dar problema no julgamento no brasileiro
Paulo Viana: Não costumo usar shampoo. Uso no máximo umas gotinhas de vinagre de maçã. Que ajuda a combater fungos.
Fabio Oliveira: Paulo você trata o fungo de pena, que é uma doença tão chata de cuidar? Qual medicamento você indica comi lidar com ela se aparecer?
Paulo Viana: Fábio, faz muito tempo que não tenho problemas de doenças no meu canaril. Faz tempo que não morre canário. Meu canaril é bem fechado com pouco contato externo. Na época dos concursos, costumo passar frontline na ida e na volta dos concursos.
Paulo Viana: Tudo isso que falei, o Miro sabe melhor do que eu. Ele é um excelente criador.
Miro (Soares): Paulo obrigado pela consideração, mas não sei melhor não (risos) sou só um amante da raça querendo aprender mais. Me diga uma coisa como você tá carotenando os yorkies? Desde o ninho ou só na muda? Pergunto porque eu quero xantinar os bichos ano q vem.
Joelson Smedel: Isso também me interessa porque tem que carotenar sem deixar manchas pois no campeonato brasileiro se não estiver perfeito caí da mesa de julgamento.
Paulo Viana: Eu caroteno depois que separo, mas já carotenei no ninho.
Miro (Soares): Hum e como fica as penas longas da asa e rabo?
Paulo Viana: Nos limpos elas fecham bem. Não tem problema. As carotenadas acabam cobrindo as sem caroteno.
Joelson Smerdel: Quantas gramas por quilo farinhada?
Paulo Viana: Eu uso 5-10 gramas por quilo. Carotenar no ninho é mais fácil só tem que cuidar dos brancos, não tem erro. Só aqui no Brasil que se dá importância para a pigmentação. O campeão mundial desse ano era mau carotenado.
Miro (Soares): Verdade Paulo só no Brasil tem essa exigência de estar perfeitamente corado com o risco de desclassificar por melhor que seja o pássaro. Essa é uma das lutas do YCCB.
Fabio Oliveira: Você tira, em média, quantos filhote por casal numa temporada?
Paulo Viana: Isso depende muito. Mas na média é de 4-8 filhotes. No geral os Meus casais fazem 4 posturas.
Miro (Soares): E bigamia Paulo usa muito? Como você faz?
Paulo Viana: Costumo fazer bastante bigamia. Às vezes fico trocando os machos de fêmeas.
Fabio Oliveira: Da certo mesmo com canário novo a bigamia? O canário do segundo ano é melhor para ser usado?
Paulo Viana: Sim, se o canário estiver bem, dá certo. O canário mais velho, com certeza é mais fácil de fazer.
Miro (Soares): Os ingleses usam muito bigamia não é Paulo?
Paulo Viana: Sim. Eles rodam todos os machos em quase todas as fêmeas. Dificilmente repetem um macho na mesma fêmea. Pelo menos é o que me falaram.
Miro (Soares): Paulo vamos a uma questão que sempre aparece quando se fala no padrão do York. Eu sei que o que devemos buscar é sem dúvida e o padrão Golding e é isso que eu busco também. Embora eu tenha percebido via net que mesmo criadores da Itália e Turquia tenha convergido para isso também nos últimos dois anos e pássaros do mundial 2016 em Portugal. Porem te pergunto o que você pensa sobre os bichos diferentes yorkies que víamos nestes países e até na Inglaterra mais encorpados que chamam de york moderno? Tudo isso via net porque do exterior só conheço Porto de Leste (risos)
Paulo Viana: Eu sou apaixonado pelo Golding. Os pássaros que mais me impressionaram foram os Australianos. Foram os pássaros mais próximos do padrão Golding. Cabeça bem redonda, alta. Um desenho muito próximo da conhecida figura. Além disso, pelo que vi de fotos e vídeos da Europa desse ano, os pássaros voltaram para mais próximos do padrão Golding. A Turquia me surpreendeu. Achava que eles iriam para aquele pássaro quase igual um camelo, mais costas do que peito. Não gostava daquilo. Olhos muito próximos do topo da cabeça. Me lembravam muito um sapo. (risos). Vi alguns pássaros do Tony Ruiz dos Estados Unidos e achei muito bons e sem dúvida o campeão inglês desse ano, uma fêmea Nevada lipo, fenomenal. Acho que é de um Belga. Enfim, para mim o mundo todo está voltando para o Golding, pois viram que o padrão não iria mudar. Aqui no Brasil, penso que o que mais estragou nossos pássaros, foi a mania de criar pássaros grandes. Quanto maior melhor.
Marcio Mathias: Paulo, você tem um veterinário que acompanha seu plantel? Se tem deu bom resultado?
Paulo Viana: Olá Márcio, eu tenho veterinário sim. Ele já me acompanha há uns 5 anos. Os resultados são muito bons. Como falei, não perco um pássaro há muito tempo. Meus canários criam bem e geralmente, eles duram uns 5-6 anos criando. Não médico sem exames e não faço nenhum preventivo ou adiciono algo na farinhada que não seja com orientação do Veterinário. Sem dúvidas acho que faz toda diferença na criação.
Miro (Soares): Paulo, vi q suas tuneis não tem aquele tampão lateral (caixotes) da original. Eu adaptei um modelo “brasuca” com estes tampões, grade de fundo e comedouro externos. Foi feita de forma artesanal. Dá impressão que as laterais tampadas no terço inferior motivam o pássaro a passar mais tempo no poleiro central. Você sabe a real função? Ou se há necessidade disso?
Paulo Viana: Miro, confesso que não vejo necessidade dessa parte de baixo. Não acho que é isso que impede o canário de ficar no fundo. Naturalmente ele sobe para o poleiro. Nunca tive problemas com isso. Historicamente não sei por que da barra. Eu consegui trazer duas gaiolas feitas na Inglaterra, comprei direto do senhor, já idoso, que faz para o YCCUK. Gastei quase 1.500 para trazer, glup... honestamente, não gostei, é ruim de limpar, um trabalho para por comida... Muito ruim. Para o show, acho bacana, mas para usar no dia a dia não dá. Gosto do meu modelo pela limpeza, mas não quer dizer que é o mais correto. Esse ano vamos ter essa discussão com Renee Larmann, juiz Holandês que vira julgar o York Show. Esse seu modelo é inteligente.
Bruno Tassi: Paulo, para você o que mais lhe agrada um york grande ou um no tamanho mediano, com todas as características dentro de um padrão? Vejo muitos questionando sobre tamanho dos yorks.
Paulo Viana: York se não tiver padrão, não adianta, pode ser grande, pequeno ou médio. Geralmente os médios e pequenos, mostram melhor a forma, são mais equilibrados, entram melhor em posição. Dificilmente você vai ver um York grande com todas essas características. O importante para mim é não ter defeitos difíceis de corrigir, como por exemplo: cabeça chata, pernas curtas, marcação de ombros, plumagem de lanca. O importante é você não colocar em seu plantel um bicho que vá destruir a sua criação. Uma das coisas que aprendi é que temos que agir com a razão e não coração na hora de selecionar o plantel. Muitas vezes amamos um pássaro que tem falhas graves, mas que era filho do cara tal, neto do fulano. Tem que ser criterioso na escolha. Grande, médio ou pequeno, tanto faz. O York vai de 17,5 cm a 22,5cm, se não me engano. Estando dentro dessa medida, vale!
Miro (Soares): E como você vê o "estado da arte" do York no Brasil e a relação com o Yorkshire Canary Club do Brasil?? Em termos de qualidade dos canários e ao modo de pensar dos criadores?
Paulo Viana: Miro, em três partes. Para mim o YCCB é um marco diferencial da criação do York. Acho que melhoramos muito nos últimos anos. Isso dito pelo próprio Brian Keenan. Ainda acho que falta uma unidade maior dos criadores de York (isso não acontece só no York, em todas as raças). Na maioria das vezes competidores e não criadores. Todo mundo quer ganhar, quer ser melhor do que o outro, não arruma pássaros bons para os outros. Não tem parceria. Eu posso lhe dizer que tenho bons amigos e pessoas que confio. Acho que estamos melhorando bastante, mas ainda falta um pouco.  Com relação a qualidade dos pássaros, temos visto excelente pássaros nos campeonatos. Vários criadores com pássaros em uma ótima forma. O problema dos criadores no Brasil, no meu ponto de vista, é que no geral querem ganhar a série no Brasileiro e em seus clubes. Isso é impossível se você não criar bastante filhotes. Aí você vê criadores com 50, 100, 150 casais, você acha que irão sair todos filhotes dentro do padrão. É impossível você ter 150 casais ótimos. Não critico esse criador, acho que cada um sabe do seu e há espaço para todo mundo. Eu friso muito essa questão quantidade x qualidade, ou seja os criadores europeus, se preocupam com a qualidade.
Miro (Soares): Paulo fala mais sobre avaliar pássaro para plantel versus pássaros para concursos. A questão do pássaro reprodutor ou de plantel.
Paulo Viana: Bom tema. Para mim, quando vou buscar um pássaro reprodutor, eu olho para os pais e os irmãos dele. Se ele não é tão bom, mas vem de uma genética boa, esse cara vale a pena. Nunca compro um filho excelente de um casal ruim ou que os irmãos não sejam do mesmo nível. Além disso você tem que saber o que você tem no seu plantel. Se você só tem fêmeas grandes e penudas, não adianta comprar machos grandes, pois os filhos não vai inspirar bons. Tem machos que são grandes, meio desajeitados, porém, vem de uma linhagem muito boa e você tem uma fêmea com excelente forma para ele. Eu procuro manter o equilíbrio entre os casais
Miro (Soares): Equilíbrio entre os casais ... bom tema continue ... (risos). Como acasalar yorkies?
Paulo Viana: Para mim o equilíbrio é a chave do negócio. Além disso você tem que conhecer o seu plantel. Saber a genética do bicho. O pássaro é pequeno, mas os pais eram grandes, é portador de canela ou não? É preciso muita observação. Geralmente, tiramos pássaros ruins por que não conhecemos o plantel ou a genética do pássaro. Ainda estou aprendendo, faço muita besteira, mas procuro manter o equilíbrio. Tenho um amigo que vem sempre na minha casa, às vezes ele briga comigo, por conta de alguns casais que faço. Aí eu explico a genética dos bichos o que eu espero e obviamente ele continua brigando comigo, afinal amigos são par isso. Para mim o grande desafio são os Brancos. É difícil acasalar branco. Até tenho tirado uns bichos razoáveis, mas é difícil.
Claudemir Herrera: Paulo que tipo de gaiolas você coloca seus casais para acasalamento? Já que os yorkies são grandes,
Paulo Viana: Eu uso as gaiolas da WEsteves GR3
Fabio Oliveira: Paulo você usa iluminação em seu canaril e se você usa qual o horário indicado para colocar os bichos para dormir na época de reprodução?
Paulo Viana: Eu uso tudo que tem de tecnologia no meu canaril, uso esteiras de papel, bebedouro automático, alongadores de comedor, tenho dois exaustores elétricos e um eólico. Minha iluminação é controlada. Como acordo cedo para tratar dos bichos, coloco par acender as 6:00 e apagar as 19:00, assim dá tempo de fazer algo a noite. Na época de criação eu deixo até as 20:00 a 20:30, já faço isso há uns 5 anos.
Marcio Mathias: Qual farinhada, legumes e sementes você dá para seus canários?
Paulo Viana: Legumes: dou couve, e chicória de padre (folha verde com talo roxo). Gosto de dar maçã. Semente, uso uma comum, mas sou extremamente encanado com semente. Gosto muito de uma da terra dos pássaros, mistura light. Muito boa, mas muito cara. Farinhada uso a Megazoo. Para mim a melhor, uso faz 4 anos.
Flavio Tanaka: Paulo eu gostaria de saber para podermos ter um bom resultado na época de reprodução o que você indicaria, antes, no meio e final de reprodução.
Paulo Viana: A coisa que mais indico é cuidado com higiene, não dá para ter criação sem higiene. O resto é comida balanceada, boa farinhada e controle com um veterinário. Não gosto de soluções do tipo: o meu amigo da Vitagold e eu também vou dar. O cara adiciona Tylan na farinhada, usa antibiótico etc. Eu só dou medicamentos se o veterinário mandar. Hoje devo ter uns 100 pássaros no meu canaril, entre York e ama, não tenho nenhum doente. Nenhum mesmo. De forma geral se usa muito antibiótico no Brasil, o que tem dificultado cada vez mais o tratamento de bactérias.
Bruno Tassi: Você faz exames periodicamente das aves?
Paulo Viana: Sim. Uma, às vezes até duas vezes ao ano. O controle com veterinário é a melhor forma de termos um plantel saudável.
Leno Coutinho: Olá boa noite Paulo eu tenho duas perguntas que gostaria de fazer as duas já foram feitas mais eu gostaria de refazer do meu jeito pode ser? Aqui tem uma discussão sobre corta o rabo dos York eu sei que ja perguntaram mais eu queria só reformula ela. A primeira vez que vi falar eu acreditava que seria pelo fato da segunda pena nascer maior e com isso aumenta o tamanho dos pássaros depois de um tempo eu li num blog a respeito que cortando a pena dos filhotes eles se apresentavam melhor porque dava um melhor equilíbrio. No nosso clube vários cortam e dizem que deu um bom resultado mais será que se for um bom pássaro cortando o rabo ou não ele não vai ser bom do mesmo jeito? Ai corta o rabo e só algo místico e mais nada?
Paulo Viana: Quanto a cortar o rabo ou não, hoje não tenho uma opinião definitiva. Para mim um bom pássaro vai ser sempre um bom pássaro. O que é mais importante a meu ver, é o treinamento. Isso muda muita coisa. Colocar na túnel e manusear ele todos os dias. Acho que cortar o rabo ou não, não vai mudar muita coisa, porém, ainda não tenho como afirmar isso. Sem dúvida o canário sem o rabo, ou com ele cortado, consegue se movimentar melhor, fica mais leve.
Leno Coutinho: E em relação as gaiolas tuneis, treinar um york nela concordo que pode ser melhor mais um pássaro treinado nela e depois colocado para ser julgado numa gaiola diferente da qual ele foi treinado ele vai conseguir se apresentar da mesma forma? Pergunto isso porque no “York Show” eles julgam nas tuneis mais nos clubes a maioria julga em gaiolas diferentes como aqui no nosso clube e no brasileiro daí te pergunto os pássaros treinados nas tuneis não vão se sentir diferentes ficarem incomodados em gaiolas diferentes das quais estão acostumados?
Paulo Viana: Acredito que sim. Eles vão estranhar. Estranham o poleiro, estranham o tamanho, estranham a forma que eles julgam, jogando as gaiolas e batendo nos pássaros para ele entrar em posição. Por isso levo só no York Show. Porém eles ficam mais mansos e vão entrar em posição mais fácil. No brasileiro desse ano, eles já devem utilizar as túneis, pois o YCCB doou as gaiolas para a FOB. É par eles usarem, só não usam se não quiserem.
Miro (Soares): Em relação aos treinados nas tuneis irem para gaiolas do clube ouso a dizer q os treinados se apresentam melhor mesmo assim.  Digo isso pela canária do Joelson que foi treinada por mim em casa numa gaiola túnel e foi best in show no clube e campeã no Brasileiro. Ela se destacou pela apresentação. Quem viu o julgamento no COM sabe do que estou falando.
Bruno Tassi: Verdade Miro, eu presenciei o julgamento no COM, esta canaria sempre estava em postura, e não se assustava. Ou seja, as gaiolas túneis ajudam e muito!
Paulo Viana: Isso deve ser mesmo. Com certeza
Miro (Soares): Paulo quando eu falei ontem que ano passado treinei alguns yokies nas tuneis e. por coincidência ou não três deles foram campeões 90pts no campeonato brasileiro, sendo dois primeiros lugares, ainda foi um treinamento superficial perto do que você conseguiu com os seus. Este ano estou sendo mais dedicado. Diante disso eu gostaria de mais detalhes do que ocorre nessa semana q os seus ficam na tuneis. Qual o manejo? Tempo? e forma de treino?
Paulo Viana: Está sendo muito bacana falar sobre uma coisa que gosto demais. Quanto a treinamento, nessa semana que eles ficam nas túneis, procuro manuseá-los bastante. Deixo eles em uma prateleira a altura dos olhos. Assim como no julgamento. Tudo que falo aqui, em termos de treinamento, é como o mestre Brian Keenan que ensinou. Eu procuro pegar a gaiola na mão, deixar o pássaro me olhar, fazer com que ele fique no poleiro superior. Deixar ele bem à vontade, movimentos delicados são o mais importante. Não adianta forçar o bicho, tem que deixar ele a vontade.
Miro (Soares): Exato Paulo são coisas diferentes até na posição q se julga no York Show numa bancada alta e no brasileiro numa mesa onde se olha quase q por cima.
Miro (Soares): Paulo para fechar minha parte no tema, desde que idade os seus yorkies começam a ir para as tuneis?
Paulo Viana: Eu costumo colocar na túnel depois que acaba a criação, pois, durante a criação é muito complicado. Durante o período que eles estão na voadeira, encaixo a túnel na voadeira e deixo eles ficar brincando de entrar e sair. Depois quando coloco eles na túnel eles não se assustam tanto.
Miro (Soares): Vi que suas tuneis são com comedouro externo isso ajuda bastante também, não é?
Paulo Viana: Miro comedouro externo é muito melhor do que o interno. Mais higiênico, mais fácil de manusear.
Miro (Soares): Vamos ao padrão do york então? O que seria um york ideal para você Paulo? E o caminho para chegarmos o mais próximo possível disso?
Paulo Viana: Para mim o York ideal é o do standard! Além disso gosto de pássaros médios, plumagem enxuta, cabeça redonda, olhos bem centrados. Acho muito importante a proporcionalidade no pássaro. Dos York que já criei o que mais gosto é do best in show do ano passado.
Joelson Smerdel: Paulo eu li um artigo de um criador inglês que para fazer canário entrar em melhor posição envolvia gaiola com papel e colocava barbante ou verdura na parte superior da mesma para que estimula se entrar posição. Você ouviu algo a respeito ou já fez?
Paulo Viana: Joelson, já vi sim. Inclusive quando comecei a criar (com uns bichos ruins para cacete) me ensinaram a fazer isso nas gaiolas normais. Mas confesso que não adiantou, pois, os bichos eram muito ruins. Depois não precisei mais fazer isso. Acho que vale a pena. Tem uns bichos que as vezes precisam de um estímulo. Agora, não devemos perder tempo com canário ruim, fora do padrão. Tenha poucos casais, mas tenha bicho dentro do padrão. Uma coisa que li uma vez, acho que foi do Tony Ruiz, grande campeão Americano. "Canário espetacular não se compra, se cria".
Marcio Mathias: Você criou com quantos casais Paulo?
Paulo Viana: Olha, esse ano eu fiz 26 casais, entre bigamia lá e tudo mais. Mas o que criou realmente foram uns 15 casais. Eu tinha muito filhote novo que não criou. Tirei 43 filhotes. Quanto mais apurado fica a raça mão difícil de criar. Esse ano irei fazer somente 16 casais.
Miro (Soares): Paulo. Como você está trabalhando o seu plantel? Está fechando famílias? Vai fazer entradas de fora? Se sim com parentesco ou não? E cruzamentos endogâmicos?
Paulo Viana: Miro, minha ideia é criar em famílias e ir cruzando elas lá na frente. Acho que ainda não estou preparado para trabalhar consanguinidade, mas, acho que vai ser o caminho. Quanto a inserir novos pássaros, por enquanto não vou adicionar nada, principalmente porque tenho bastante material para trabalhar. Quando for introduzir algo novo, pretendo seguir a mesma linha que venho trabalhando.
Bruno Tassi: Boa tarde Paulo, em uma palestra do Sr. Blasina ele falou que fica quatro anos trabalhando fechado a genética dos canários só depois introduz sangue de fora. Quantos anos, em média, você trabalha uma família de uma determinada linhagem?
Paulo Viana: Ainda estou no começo dessa filosofia. Acho que 4 anos é bastante razoável. Meu maior cuidado vai ser não fechar o sangue muito rápido.
Miro (Soares): Dê mais detalhes Paulo. Em que fase você está desse processo? Como estão compostas suas famílias? Vai passar netos em avos? Pergunto porque esse ano estou começando a fechar três famílias e tenho muitas dúvidas ainda.
Paulo Viana: Bom eu tenho alguns pássaros ingleses que vieram do John Mcgratth e outros que vieram do Oliver Queen. Separei uma família do Joe, uma do Olliver e outra misturei. Já misturei algumas famílias e outras estou mantendo a raiz. Esse ano vou colocar avo com netas e primos com primos. Vamos ver como vai progredir.
Leno Coutinho: Paulo mais qual seu critério? Tamanho? O que se usar para fazer esses grupos familiares?
Paulo Viana: Meu critério é acasalar com o avo as fêmeas mais parecidas com ele, que tenham as mesmas características dele. Quando você quer fixar uma característica você tem que acasalar indivíduos que tenham a mesma característica. Lembrando que defeitos também se acentuam.
Miro (Soares): Essas netas já são de pai x filha?
Paulo Viana: Não Miro, são filha dos filhos. Não fiz ainda filha com pai.
Leno Coutinho: No caso se o avo for um pássaro pequeno o mediano de plumagem compacta enfim as netas têm que ser parecidas com ele?
Sim Leno. Como falei, ainda é meio teórico, pois ainda não tive tempo para expandir tanto
Leno Coutinho: No gloster, que é o que eu crio, dependendo a cor que seja acasalada acaba influenciando um pouco. No york acontece? Você já viu algo assim?
Paulo Viana: Você fala influência na plumagem, tamanho? Sim. Geralmente canela é o que mais influência, pois geralmente a plumagem é mais apertada. Para mim os melhores melânicos vêm de acasalamento com canela.
Miro (Soares): Interessante Paulo. Eu este ano pretendo acasalar irmão x irmã e tios com sobrinhas. E uma filha com pai.
Paulo Viana: Depois me fala como ficou. Essa experiência é importante para a nossa genética. Uma coisa que acredito é que no Brasil gostamos muito dos Brancos e os brancos são danados para estragar a plumagem em uma criação. Dificilmente você ver pássaros brancos na Europa.
Flavio Tanaka: Este ano com a situação financeira do povo, o que você prevê em relação ao mercado de pássaros, principalmente aos York, Frisados etc.?
Paulo Viana: Bom economicamente falando, o que posso dizer é que o pássaro bom vai ser sempre valorizado. Pássaros ruins vão ficar mais difíceis de vender. Pois, ninguém vai querer gastar dinheiro à toa.
Leno Coutinho: Você não aconselha usar brancos e uma criação ou em qual acasalamento usar ele?
Paulo Viana: Com relação aos brancos. Eu adoro e uso. Só acho difícil.
Paulo Viana: Estou me despedindo agora, espero ter sido tão bacana para vocês como foi para mim. Adorei a conversa. Convido a todos para ir no York Show, em junho, o Miro já deve ter passado os detalhes para vocês. Ele é o nosso representante aí no Paraná.
Miro (Soares): Valeu Paulo foi excelente a sua participação conosco. Aprendemos muito com você. Sua disponibilidade e atenção agradou a todos. Agradecemos imensamente amigo.

Paulo Viana: Miro muito obrigado pelo convite.

sábado, 14 de novembro de 2015

Preparação do canário Yorkshire para concurso: Cortar e retirar as penas da cauda? Uma reflexão

Claudemir Martins Soares
MSc. Em Produção Animal e Dr. em Ciências Ambientais
Membro COP – Clube Ornitológico de Paranavaí e YCCB – Yorkshire Canary Club do Brasil

Este é um assunto ainda cheio de "mistérios" com uma dose de falta de informação e de conhecimento e, até com casos de criadores que não concordam com a real necessidade da pratica. Entretanto mesmo entre os que usam o método, ou que concordam com ele, ainda ficam no ar algumas perguntas freqüentes: 1) Qual a vantagem do processo? Quando cortar? Que tamanho deveríamos deixar as penas? Por quanto tempo deixar o rabo com as penas cortadas? Quando e como retirar as penas para que se formem as novas? Quais os riscos?
Em 2007 ao visitar um criador da raça percebi que os seus filhotes com cerca de 40 dias tinham as penas dos seus rabos cortadas. Quando o questionei, ele me disse que fazia parte do processo de preparação para concurso e que tinha aprendido com criadores italianos. Fique com aquilo na cabeça e, na minha primeira tentativa, passei a fazê-lo no ano seguinte, cortando 2/3 do comprimento das penas o rabo dos filhotes de Yorkshire e os deixando assim, com as penas cortadas, até o inicio da muda de penas, quando apareciam as faixas de troca de penas do peito. Nesse momento eu retirava as penas, alternadamente, e esperava que as primeiras penas novas estivessem do tamanho das cortadas quando, então, eu retirava também estas. Fiz assim pelo "método de copiação" até com os primeiros filhotes de 2012.
Com o advento recente do face book percebi, ao ver fotos de filhotes em diferentes idades e fases de preparo pra concurso, que muitos criadores da Itália usam este processo. Conversei com alguns deles via chat e, assim, me veio algumas respostas: Quando cortar?: Eu estava fazendo o certo, ou seja, cortando os rabos assim que os filhotes eram separados das amas. Por outro lado, eu estava fazendo bem diferente do usual em relação a quanto tempo deixá-los com o rabo cortado de como retirar as penas. Quanto tempo deixar? As penas devem ser retiradas, de preferência, quando os filhotes já estivem finalizando o processo muda de penas assim eles ficam por cerca de três a quatro meses com o rabo curto (Figura 1). Quando tirar?: Diferente do que eu usava, achando ser o adequado, eles tiram as penas, que foram cortadas aos 40 a 50 dias antes do período de concursos, bem mais tarde, quando os canários já estão finalizando a muda, porém, com tempo suficiente para que o rabo se forme para o concurso. Como tirar? Também diferente do que eu usava, eles tiram todas a penas ao mesmo tempo deixando o jovem York totalmente sem cauda (Figura 2) sendo as novas penas formadas todas ao mesmo tempo (Figura 2).












Foto: Dario Piccarreta

Fotos: Aldo Onzaca

Figura 1. Filhotes de Yorkshire ainda com a primeira plumagem e cauda cortada.

Entre os criadores de Yorkshire este é um assunto distante de ter consenso e muitos ainda não tem opinião formada. Alguns dizem que melhora a postura, outros que o único propósito seria aumentar o tamanho dos canários visto que as penas definitivas, que só seriam trocadas no segundo ano, realmente são maiores que as da primeira plumagem. Outros, que seriam uma forma de igualar as penas arrancadas ou estragadas pelas amas ou, ainda, quebradas e precisaram ser retiradas. Há também quem diga que é perda de tempo que este ato não muda em nada.


Foto: Dario Piccarreta
Figura 2. Filhotes de Yorkshire em fim de muda de penas com as penas da cauda recém retiradas.

Mesmo com estas respostas, ainda ficou uma pergunta martelando minha imaginação: Será que realmente isso ajuda no processo de preparação pro concurso? Existe algum motivo, além de igualar as possíveis penas retiradas pelas amas antes dos filhotes serem separados? Recentemente me veio a explicação mais plausível em conversa com um amigo que ouviu de um criador Inglês onde o fato do filhote ter o rabo cortado e ficar assim até 120 dias antes do concurso faz com que sua estrutura se desenvolva ("amadureça") sem o peso do "rabo" e assim o uropígio, local de inserção das penas da cauda, se estabeleça em uma posição que leve as penas definitivas formarem um rabo mais adequado ao padrão Golding, ou seja, levemente levantado, não seguindo a mesma linha do dorso do canário. Este me pareceu ser o argumento mais plausível já que fato do “filhotão” passaria cerca quatro meses sem o peso da cauda inteira, justamente na época em que ele esta se formando possibilitaria que depois já com o rabo formado eles teriam uma melhor angulação da cauda e também uma melhor posição no poleiro. É claro que isso seria apenas um bônus que depende principalmente e inevitavelmente de indivíduos de linhagem de excelente qualidade genética.


Fotos: Aldo Onzaca
Fig. 3. Filhotes de Yorkshire em fim de muda de penas com o rabo em formação após serem retiradas.

Pra não dizer que eu só falei de flores, ressalto que há alguns inconvenientes neste processo. Um deles e o inevitável manuseio dos pássaros e a retirada uma a uma das penas que causa estresse momentâneo aos pássaros. Outro, ainda mais sério, é que sempre há o risco de as amas retirarem penas dos rabos dos filhotes ou mesmos de terem penas retiradas pelos companheiros de grupo nas voadeiras ou mesmo algumas penas caírem naturalmente. Nestes casos, como uma nova pena vai se formar, corre-se o risco de alguma pena ainda em formação (chamadas de cartuchos) e que guando puxadas podem levar a sangramentos. Ressalto ainda que, atualmente, é um método que é usado e defendido por alguns criadores e considerado desnecessário e ineficaz por outros, mas que me parece que merece ser melhor entendido e avaliado.
Para ter resultado no uso deste processo é preciso cortar as penas do rabo com uma tesoura dos filhotes recém separados e deixar os pássaros com os rabos "curtos" até quanto estiver finalizando a muda de penas do corpo quando então o rabo com penas cortadas é enfim retirado sendo puxadas as penas de uma a uma no mesmo dia para que nasçam novas penas. Isso deve ser feito em pelo menos 40 dias antes do concurso para que haja tempo hábil para o novo rabo se formar.

Vale ressaltar que este artifício por si só não faz o "milagre" de transformar um canário sem qualidade e fora do padrão, ou mesmo um pássaro mediano para o padrão da raça, num individuo pronto para concurso, por outro lado, é, apenas, uma ferramenta para melhorar um detalhe que pode fazer a diferença quando se tem pássaros com boa qualidade genética.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Caminhos da endogamia na construção de linhagem

Neste blog que aqui compartilho tem um dos melhores esquema pra uso de cruzamentos endogâmicos que já vi para desenvolvimento de linhagem em canários.  Vale mesmo a pena conferir.

http://2.bp.blogspot.com/-bKTkUDDnmQE/VSf7A1lebwI/AAAAAAAAAHU/l3S1CnEiBs4/s1600/%CF%86%CF%89%CF%84%CE%BF3.jpg

Sempre lembrando que endogamia só vale a pena, e os riscos, quando se tem dois indivíduos do mais alto padrão no que ser refere as características da raça e que, ainda, seja perfeitamente compatíveis em ralação as critérios de acasalamento para a mesma. Um outro carácter importante a se levar em conta é a não ocorrência de características deletérias como, por exemplo, incidência de cistos ou cegueira na família de onde provem os pássaros.

fonte:http://greekyorkshirecanaries.blogspot.com.br/


Caminhos da endogamia na construção de linhagem

Neste blog que aqui compartilho tem um dos melhores esquema pra uso de cruzamentos endogâmicos que já vi para desenvolvimento de linhagem em canários.  Vale mesmo a pena conferir.

http://2.bp.blogspot.com/-bKTkUDDnmQE/VSf7A1lebwI/AAAAAAAAAHU/l3S1CnEiBs4/s1600/%CF%86%CF%89%CF%84%CE%BF3.jpg

Sempre lembrando que endogamia só vale a pena, e os riscos, quando se tem dois indivíduos do mais alto padrão no que ser refere as características da raça e que, ainda, seja perfeitamente compatíveis em ralação as critérios de acasalamento para a mesma. Um outro carácter importante a se levar em conta é a não ocorrência de características deletérias como, por exemplo, incidência de cistos ou cegueira na família de onde provem os pássaros.

fonte:http://greekyorkshirecanaries.blogspot.com.br/

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Artigo Técnico - Reprodução

Emprego de bigamia e poligamia na criação de canários de porte
Autor: Claudemir Martins Soares
MSc. Em Produção Animal e Dr. em Ciências Ambientais
Sócio COM – Clube Ornitológico de Maringá e YCCB – Yorkshire Canary Club do Brasil
Artigo publicado na Revista do Clube Ornitológico de Maringá em 2015 

Na criação de canários o uso de um macho para duas ou mais fêmeas é uma prática que ainda esta envolvida por alguns tabus e também por muita falta de conhecimento de como fazê-lo. Seu emprego exige um manejo diferenciado necessitando de maior disponibilidade de tempo e, ainda, um senso de observação e paciência e até uma combinação de sensibilidade e criatividade, por parte de criador, para ir manejando os pássaros para que se tenha sucesso. Por isso é preciso destacar que deve ou, deveria ser usado apenas em caso de se ter um macho excepcional no que se refere ás características da raça que se pretende fixar. Não é aconselhável que sejam aplicadas com machos medianos nestes quesitos.
Em termos conceituais denomina-se monogamia quando se usa casais fixos, bigamia quando se usa um único macho para duas fêmeas e, poligamia quando um macho é utilizado para mais de duas fêmeas. Muitos usam erroneamente o termo bigamia para o uso de um macho para várias fêmeas.

Entre os principais pontos da bigamia e poligamia que tornam estas práticas vantajosas destaca-se:
1)      Melhor aproveitamento de um macho excepcional de alto padrão;
2)      Ideal para fixação de linhagem;
3)      Redução de investimento por reduzir a necessidade de aquisição de machos;
4)      Excelente manejo pra produção de quartetos para concursos.

Bigamia e poligamia na prática, o que aprendi em minhas experiências:
O canário (Serinus canaria) é uma espécie naturalmente monogâmica que forma casais fixos na estação de reprodução tirando ninhadas seqüenciais e, por isso quando se pretende usar um macho com mais de uma fêmea e preciso se munir de estratégias que possibilitem este manejo e romper essa barreira comportamental. Partindo desse principio o que descrevo a seguir e para o uso de manejo com fêmeas em gaiolas individualizadas.

Principais dificuldades
Indivíduos que não se adaptam ao manejo
A maioria dos machos e fêmeas que se adaptam perfeitamente ao uso de bigamia ou poligamia e alguns precisa apenas de um cuidado maior nas primeiras rodadas para se adequarem. Entretanto, infelizmente, nem todos canários (machos ou fêmeas) se adaptam bem a este manejo e com certos casos onde a dificuldade é grande. Tive uma fêmea que mesmo sendo acasalada normalmente na primeira rodada não aceitava o macho de volta, ao ponto de perder duas rodadas com ovos brancos. Na primeira rodada corria tudo normal, mas na volta do macho para mais um ciclo acontecia brigas constantes. É comum acontecer de algumas fêmeas, na ausência no macho, abandonarem os ninhos com ovos e iniciar novo ciclo reprodutivo. Nestes casos é preciso ponderar se convém usar esta fêmea desta forma.
Existem machos que, por terem formado casal fixo, com a primeira fêmea que estiveram acasalados, exibem comportamento de brigas com a segunda fêmea e, por muitas vezes, pode não galar os ovos desta. Nestes casos uma estratégia para contornar o problema e deixá-los separados das fêmeas, por um intervalo (5 a 7 dias), sem ver a fêmea "antiga", para ser juntados com uma nova fêmea. Por outro lado, tive machos que bastava trocar de gaiola e já estavam galando, imediatamente, se a fêmea pedisse gala. Nos casos dos machos percebi que podem ser "treinados" e que a partir da segunda postura essas brigas diminuem ou desaparecem e no próximo ano se adaptam com muito mais facilidade ao manejo.

Quanto ao manejo, como estamos falando de reprodução, um fator que não temos o total controle, já me deparei com duas situações que exigem métodos diferentes:

1) Quando as fêmeas se aprontam em períodos diferentes (semanas diferentes)
Neste caso se usa o manejo tradicional já descrito acima. Deixando o macho com a 1º fêmea e assim que ela terminar a postura passar ele com a outra. O que faço de diferente do usual é passar o macho junto com a outra por umas horas a cada dois ou três dias para eles irem se acostumando e para que eu possa observar o comportamento dos mesmos.

2) Quando as fêmeas se aprontam juntas (nos mesmos dias)
Estes casos exigem mais tempo por parte do criador e também mais manipulação dos pássaros. Para minimizar a ocorrência de ovos brancos convém fazer com que o macho fique parte do dia com cada uma das fêmeas. Os horários para serem feito a passagem do macho vai depender do tempo disponível que o criador tem para isso. Nas bigamias poderia ser colocado o macho de manhã até a hora do almoço com uma e a tarde com outra. Pode–se também deixar o macho com uma das fêmeas das 18h00 as 07h30, que teria o final da tarde e a parte da manha para copularem, e com a outra no restante do tempo. No caso das poligamias é possível deixar o macho de manha com uma, da hora do almoço antes do entardecer com outra e a tardezinha e manhã com a última. Já tive um caso de fazer três turnos com um macho e ter os ovos das três fêmeas galados. É comprovado que um único dia galando pode fecundar todos os ovos de um ciclo de postura, mas é melhor não corrermos o risco e ter o macho com as fêmeas todos os dias. De qualquer forma, nestes casos o mais aconselhável é passar os ovos de uma das fêmeas ou duas fêmeas para uma ama para que as próximas posturas passem a ser intercalados facilitando o rodízio do macho.
O mais usual é deixar as fêmeas em gaiolas diferentes e ainda de forma que as mesmas não se vejam. Embora seja exceção, existem criadores que obtiveram sucesso, no caso de bigamias, com o trio sendo solto junto na mesma gaiola com um ninho de cada lado. Os problemas que podem ocorrer em deixar duas fêmeas são: Brigas entre elas; uso de um só ninho pelas duas fêmeas e risco de quebra de ovos ou os filhotes eclodirem com idades muito diferentes e, ainda, briga do macho com uma das fêmeas.
Mesmo ma bigamia convencional, com alguns machos, no passado, tive o problema de brigas ao serem colocados com a segunda fêmea após ficarem por vários dias com a primeira. A saída par evitar este inconveniente nestes casos é fazer algo um pouco diferente do que eu aplicava. Ou seja, mesmo as fêmeas estarem ainda sem interesse em fazer ninho pode-se deixar o macho cada dia com uma delas. Uma prática que reduz as brigas do macho com uma das fêmeas e também o abandono de ninho e distribuir as gaiolas com tapumes de forma que as fêmeas não se vejam e que também o macho não veja outra fêmea que estava antes.

Gaiolas
O uso de bigamia ou poligamia pode ser tranquilamente realizado com gaiolas “argentinas” convencionais com uma fêmea em cada gaiola e o mancho sendo transferidos manualmente de uma para outra. Depois de devidamente acasalados os machos mesmo sendo pegos na mão copulam com as fêmeas que pedem gala logo em seguida. Entretanto existem gaiolas especificas para este fim que diminuem a manipulação dos machos com o uso de grades divisórias assim não se faz necessário o pegar o macho não mão reduzindo o risco de stress ou acidentes.

Quando separar o macho das fêmeas
É uma etapa decisiva e delicada, pois pode acabar com um ninho abandonado em pleno choco e risco de perder os ovos. Mais uma vez se aplica a capacidade de observação do criador em relação ao comportamento das fêmeas, pois algumas podem ser separadas já no dia da postura do terceiro ovo e outras requerem ficar com os machos por dois a três dias depois de terem botado o ultimo ovo para não abandonarem o ninho. Ocorrem ainda alguns casos de fêmeas que abandonam o ninho todas as vezes que são separadas do macho, convém, portanto, nesses casos avaliar se vale a pena usar estas em bigamias uma vez que podem se desgastar por terem os espaço entre as posturas reduzido, alem de dificultar o manejo do macho com as demais fêmeas.

Artigo Técnico - Tamanho do Yorkshire

Tamanho do Canário Yorkshire?
Autor: Claudemir Martins Soares
Biólogo, MSc. Em Produção Animal e Dr. em Ciências Ambientais
Membro do COM – Clube Ornitológico de Maringá e YCCB – Yorkshire Canary Club do Brasil
Artigo publicado na Revista do Clube Ornitológico de Maringá em 2015 

No Brasil cada vez existe mais concordância em torno do padrão do canário Yorkshire principalmente em ralação a posição, plumagem e desenho. Entretanto, se existe algo que ainda precisa ser devidamente debatido e esclarecido para que haja um consenso entre os criadores da raça é em relação ao tamanho do Yorkshire. O questionamento surge quando se vê o padrão dado pelo Yorkshire Canary Clube (YCC)1 da Inglaterra, país detentor do padrão dizer claramente: comprimento com cerca de 6 3/4 polegadas com correspondentes proporções simétricas. Esta medida corresponde a 17,145 cm como tamanho sem citar como sendo o mínimo o que dá a impressão que o adequado seria em torno disso. Por outro lado, os padrões estabelecidos em alguns países, inclusive no Brasil, citam o mínimo de 17 cm sem limitar o tamanho máximo. O fato é que, na prática, em vários países, entre eles Inglaterra e Itália, o que se tem visto é que os vencedores dos concursos nos últimos anos os pássaros que tem vencido são perfeitos quanto ao padrão, mas apresentam um tamanho em torno de 20 cm, o qual é superior ao citado no padrão COM. O que indica que existe uma tendência mundial para pássaros maiores desde que tenham boas características nos três quesitos principais para raça: posição, plumagem e bloco com a necessidade de manter equilíbrio e harmonia. Diante deste fato se fica a impressão que o padrão do Yorkshire poderá sofrer esta discreta mudança para pássaros ligeiramente maiores porem com proporções simétricas como preconiza o padrão Golding.
Quando vemos o “standart” da raça2 fica evidente que o que deve prevalecer é a melhor posição (25 pontos), plumagem (25 pontos) e cabeça (20 pontos) sendo os itens com maior pontuação, ficando o tamanho em terceiro plano, valendo 10 pontos. Realmente não podemos negar que um pássaro maior, porém, dentro do padrão nos demais quesitos, com ótimas características de posição, plumagem e cabeça acabam tendo um diferencial o que o Juiz Inglês Brian Keenan definiu como um “plus” que só seria considerado e daria alguma vantagem na pontuação em casos de dois pássaros idênticos dos demais quesitos do padrão, porém com um deles um pouco maior que seria mais bem pontuado. Por outro lado um canário, mesmo que menor, porém ser for melhor nos quesitos mais importantes no padrão receberá melhor pontuação que um maior que seja inferior nestes quesitos.
O risco que corremos é que nos julgamentos e na criação do canário Yorkshire no Brasil ocorra uma busca pelo tamanho maior mesmo em detrimento ao padrão. Existe também o perigo de inicio, e que deve ser minimizado com o tempo de ocorrer discrepância nos regionais, de se dar preferência aos maiores mesmo com pássaros menores (acima dos 17cm) porém, superiores quanto ao padrão. O contrário também ocorre com alguns indivíduos que estão na nível atual dos melhores representantes da raça, ou seja, canários volumosos, mas com posição, plumagem e cabeça espetaculares sendo desclassificados por serem grandes. Bem se voltarmos à planilha de pontuação fica evidente que o tamanho não deveria prevalecer no julgamento. Qual a solução? É preciso que criadores e juízes entendam que o que deve prevalecer é posição, plumagem, cabeça e elegância e que estas devem sempre estar em primeiro plano.
Bem sabemos que toda mudança acaba sendo de forma gradual. Embora o padrão Golding venha sendo adotado pela FOB desde 2005, ainda existe uma evidente necessidade de adequação dos juízes e criadores a estas mudanças. Ainda há quem tenha, na cabeça, como modelo um canário mais longo, com “menos caixa”, cauda reta com o corpo e com forma de cenoura reta. Atualmente as avaliações em alguns concursos parecem envolver mais o gosto pessoal, determinado há anos atrás, do que o padrão em vigor. É preciso termos em mente que houve uma franca mudança ao longo do tempo nesta raça tendo no Brasil nos últimos 15 anos tipos bem diferente como o Yorkshire continental e o Golding atual.
É preciso aceitar estes fatos descritos acima, mas também é preciso buscar meios que agilizem esta adequação para o bem da raça que criamos. Acredito que o caminho é buscarmos a sintonia, troca de informações e aprimoramento entre os criadores e também a um contato mais próximo com os juízes para discussões sobre os julgamentos.

1(http://yccuk.com/modelpoints.html)

2(http://yorkshirecanaryclubbrasil.com/index.php?yccb=nav/standard)